Este é o segundo guest post do Conteúdo para ONGs. A autora, Raquel Melo, escreveu o artigo originalmente para seu blog rackeando.wordpress.comComo o conteúdo é excelente e tem tudo a ver com a proposta do Conteúdo para ONGs, pedimos a autorização (que foi concedida) para publicar o artigo aqui.

Raquel Melo* – Entre 2011 e 2015, trabalhei como coordenadora de comunicação de duas importantes organizações não governamentais. Ambas influentes em suas áreas de atuação: o Instituto Sou Paz, reconhecido pelos projetos inovadores na segurança pública e prevenção da violência; e Católicas pelo Direito de Decidir, empenhada em transformar os padrões culturais e religiosos por meio do feminismo.

Quando fui convidada para assumir o trabalho nas duas entidades, meu principal desafio era: dar visibilidade para as ONGs no mundo digital, especialmente em suas redes sociais. Além de divulgar missões, valores e projetos de ambas, deveria contribuir com a captação de recursos, logo, com a sustentabilidade institucional.

O trabalho exigiu múltiplas ações coordenadas:

  • Planejamento estratégico;
  • Delineamento e relacionamento com diferentes públicos, incluindo atualização permanente do mailing institucional;
  • Criação, curadoria e gestão de conteúdos (texto, infográficos, fotos, vídeos) e campanhas coerentes e de qualidade para todos os canais digitais (site, newsletter, Facebook, Twitter, You Tube);
  • Boas práticas de SEO;
  • Monitoramento, métricas e análise regular de todos os canais;
  • Relações Públicas e produção de pautas para jornalistas;
  • Busca e bom relacionamento com diferentes parceiros e prestadores de serviço;
  • Estabelecimento de Cultura Comunicacional: media training e compartilhamento de boas práticas de comunicação com toda a equipe;
  • Feedback permanente para supervisão direta, com relatórios, métricas e apontamentos sobre os pontos positivos e negativos das ações;
  • Acompanhamento das notícias sobre temas – direta ou indiretamente – relacionados ao trabalho das instituições.

Sabe-se que as ONGs, diferentemente das empresas, não têm finalidade lucrativa, fato que impacta diretamente seus recursos financeiros e humanos. As equipes de comunicação, geralmente, são pequenas e, cotidianamente, precisam rever suas decisões, ações, cronogramas etc.

No entanto, com um trabalho bem coordenado e alinhado às inovações tecnológicas, é possível garantir excelentes resultados: milhares de acesso aos sites, aumento de seguidores com alto engajamento nas redes sociais, centenas de entrevistas na imprensa, conquistas de novos parceiros etc. Entrem nos canais dessas instituições e vejam com os próprios olhos.

Esta tarefa não foi fácil, afinal, temas tão caros à sociedade como segurança pública e direitos das mulheres e LGBTs, infelizmente, ainda são deturpados por vozes reacionárias, machistas e homofóbicas. Foi preciso desmitifica-los e traduzi-los para o grande público, atraindo, assim, potenciais adeptos e lovers que não conheciam os trabalhos das instituições.

Obviamente, este sucesso foi possível graças a todas as pessoas das equipes, especialmente dos excelentes jornalistas, designers, ilustradoras, fotógrafos e videomakers. No Sou da Paz, pude aprender e contar com o talento de Fernanda Ozilak, Fernando Freitas, Janaína Siqueira, Ligia Rechenberg, Luana Viegas e Rafael Telles Machado. Em Católicas, tive as parceiras Elisa Gargiulo e Luiza Kame.

A comunicação é essencial para a vida das ONGs, dos projetos e coletivos autônomos e ativistas de diversas frentes. Ela contribui para as mudanças de paradigmas sociais e transformação dos modos de ver o mundo.
Dá trabalho, é desafiador, mas vale muito, muito a pena.

* Raquel Melo é jornalista, especialista em comunicação digital (Senac-SP), mestranda em ciências da comunicação (ECA/USP), pesquisadora do Centro Internacional de Pesquisa Atopos. E-mail: rackmelo@gmail.com.

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